• Quinta-Feira, 29 de Fevereiro de 2024

 

A quantidade é um diferencial

A quantidade é um diferencial


O processo educativo que compete a escola se dá, fundamentalmente, em sala de aula. Disso todos nós sabemos e concordamos. A questão que almejamos nesse artigo é de saber que tipo de sala de aula pode colaborar com o aprendizado da criança, do jovem...

As condições materiais de uma sala de aula são de suma importância no processo de ensino-aprendizagem. Dificilmente uma pessoa jamais terá êxito no processo de aprendizagem se o local destinado a esse processo, a sala de aula, for um espaço desconfortável: calor excessivo, barulho demais, quantidade exagerada de alunos...

Qual a quantidade ideal de alunos em uma sala para que o Professor possa fazer um trabalho de qualidade, acompanhando o aprendizado de cada aluno? Sabe-se que nos últimos tempos, no Brasil, o índice de indisciplina tem crescido de forma assustadora e isso tem dificultado o trabalho dos docentes que gastam em média 20% do tempo das aulas cuidando da ordem em sala (índice foi publicado recentemente pela OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) pedindo aos alunos que se comportem, que façam silencio, etc.

Na contramão de países que prezam por qualidade, o que temos visto no Brasil e que tem se tornado frequente são salas de aulas com mais 30 alunos no ensino Fundamental. Isso tem atrapalhado sobremaneira os resultados com a aprendizagem. A Conferência Nacional de Educação (CONAE), ocorrida no início de 2010, aprovou as seguintes quantidades máximas de aluno por turma: 15 para a Educação Infantil; 20 para o Ensino Fundamental; 25 para o Ensino Médio. Infelizmente essa proposta não se tornou lei e vemos gestores dos Estados e dos Municípios colocando até mais de 40 alunos por sala.

Por causa do número excessivo de alunos em classe e consequentemente com a incapacidade do professor de fazer o devido acompanhamento personalizado, muitos alunos da Educação Infantil estão chegando ao sexto ano do Ensino Fundamental sem saberem ler com fluência e apresentando dificuldades para realizar operações matemáticas simples (como as quatro operações).

Na ultima jornada pedagógica realizada no município de Mata de São João o gestor chamou a atenção dos professores para o fato de que estamos em ano de Prova Brasil, indicador externo do Governo Federal que mede o conhecimento dos estudantes de Quinto e Nono ano do ensino Fundamental. Na fala do gestor deu para os presentes notarem uma preocupação pelos resultados aritméticos do Exame Externo da provinha Brasil. Uma questão a ser observada é que se as escolas do município estão dando o seu melhor em sua pratica pedagógica, não tem porque se preocupar com resultados de tal avaliação, até porque os mesmos virão como consequência do trabalho realizado durante os anos de estudos desenvolvidos em sala de aula. Não adianta se preocupar demasiadamente com os resultados da Provinha Brasil e do IDEB, se não tiver a ousadia de investir de forma generosa durante todo o processo, com salas de aulas bem climatizadas, com farto material didático, com poucos alunos em sala, e sobretudo, com professores qualificados e bem pagos para fazerem um trabalho de qualidade com os alunos. Afinal, os resultados da educação não podem ser medidos unicamente por indicadores externos, mas antes de tudo, pela capacidade que cada estudante desenvolve nos estudos e usa para resolver problemas do seu cotidiano.