• Quinta-Feira, 20 de Junho de 2024

 

Escola sem partido ou professores adestrados?

ESCOLA SEM PARTIDO OU PROFESSORES ADESTRADOS?

Desde a Antiguidade clássica que existe uma preocupação do Estado pelo tipo de educação que se deve dar aos jovens. A educação representa o ideal de homem que determinados governantes e sociedades idealizam. Basta ver a educação que era desenvolvida na cidade de Esparta, na Grécia Antiga, que defendia o ideal guerreiro. Isso é demonstrado com muita maestria no Filme: “Trezentos”, co-escrito e dirigido por Zack Snyder. Esparta era uma cidade que transformava todas as crianças do sexo masculino em guerreiros, por isso a educação espartana priorizava a preparação física  e guerreira de seus filhos.

Já a cidade de Atenas, que deixou o legado de grandes pensadores como Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Aristóteles, só para me referir aos mais famosos, tinha uma educação voltada para o ideal da Palavra, pronunciada na Àgora (lugar onde as pessoas iam livremente para conversar, discutir...), entre os seus cidadãos. Foi em Atenas que a Palavra se desvinculou da tirania mágica e religiosa do mito e da religião e ganhou um contorno laico, político e popular. Também Atenas foi o palco onde surgiu a primeira experiência de democracia (demos: povo e cracia: governo), no século V a.C, no governo de Péricles (495/492 - 429 a.C).

Falar em Educação tomando como base o Movimento Escola Sem Partido, como querem alguns congressistas atuais, conforme o Projeto de Lei  n.º 867 de 2015, é apenas uma ideologia que quer escamotear a realidade, porque, na verdade, toda escola reflete a ideologia de seus governos e de seus mestres, ainda que não confesse publicamente as convicções e ideologias dos partidos dos governantes e mestres.

Por que esse projeto de Lei  n.º 867 de 2015 ganha força no Congresso Nacional logo agora, no momento em que a presidente da republica que foi eleita com mais de 50 milhões de votos, do PT, está afastada e os representantes desse projeto que têm suas raízes em um movimento de concepção de direita e de tendência neoliberal tentam se impor no governo do presidente interino Michel Temer? Esse projeto de Lei foi apresentado pelo Deputado Federal Izalci Lucas Ferreira, militante do PSDB. Isso sinaliza nada mais, nada a menos do que a intenção desse governo de impor a sua ideologia nas escolas publicas, camuflando sua intenção com o termo “sem partido”, que na verdade será a imposição ideológica dos partidos do grupo do governo do Presidente interino, tentando derrubar a política educacional implantada pelos governos do PT (Lula-Dilma).

Obviamente que defender a idéia de que há nas escolas de ensino Fundamental e Médio a prática da defesa, por parte dos seus corpos docentes, de um partido A ou B, é querer forçar a barra. O que ocorre é que vivemos em uma sociedade democrática, onde os professores ministram suas aulas e baseiam seus raciocínios e discursos, necessariamente, nas ideologias em que acreditam. O que os docentes são vedados de fazer nas escolas, e com certeza não é uma prática dos mesmos, é defender as suas ideologias partidárias em sala de aula, confundindo essa defesa com o conteúdo de suas aulas.

Fazer o que deseja o movimento “Escola Sem Partido” (veja www.facebook.com/escolasempartidooficial) de onde foi copiado o PL n.º 867 de 2015, de colocar nas escolas cartazes com proibições do que um professor deve ou não fazer, é ridículo e insensato, porque com isso estaríamos criando um clima de pressão, ameaças e mal-estar nas escolas como se estivéssemos em um regime de ditadura militar. A preocupação que o Poder Publico deve ter é a de criar condições reais de trabalho para os professores, pagando salários condizentes com seus níveis e melhorar as condições estruturais das escolas, para que tenham condições de  responder às demandas dos estudantes do século vinte e um.

Como os partidos estão sem credibilidade entre a população brasileira e a Direita Política tem se mostrado por demais fisiológica e sem discurso para encantar a sua militância, a mesma optou em abraçar a idéia da Escola Sem Partido, quando o que desejam, na verdade, é terem professores adestrados a serviço do velho capitalismo.